Mensagem de falso advogado no WhatsApp pede taxa ou Pix para liberar o dinheiro do processo? Veja os sinais do golpe, como conferir e o que fazer se já pagou.
A mensagem é do escritório Gabriel Garcia Advogados quando vem do WhatsApp (51) 98175-0879 ou de um e-mail terminado em @advgg.com.br. O escritório nunca pede pagamento de taxa, custa (despesa do processo) ou imposto para liberar valor de processo, nem Pix para a conta de outra pessoa. Se chegou um pedido assim, não pague e pergunte antes ao escritório, pelo número oficial.
Em 21 de outubro de 2026, um golpista procurou um cliente do escritório pelo WhatsApp +55 51 8047-3570. Ele se apresentou como "Dr Gabriel Rodrigues Garcia", usou a logo do escritório e mandou um "Ofício" em PDF que falava de um "valor líquido" a liberar. Esse número não é do escritório.
Por que quem tem processo vira alvo
Os atos do processo são, em regra, públicos (Código de Processo Civil, art. 189). O golpista pode consultar o número do processo, o nome das partes e o nome do advogado, e usa esses dados para parecer que escreve em nome do escritório. Uma mensagem que acerta o número do seu processo ou o nome do juiz pode ter sido escrita por quem só leu a consulta pública.
Sinais de que a mensagem é golpe
Desconfie da mensagem que:
- vem de um número diferente do (51) 98175-0879, ainda que o perfil tenha a foto, a logo ou o nome do advogado;
- diz que há dinheiro do processo liberado, um "valor líquido" ou um alvará pronto (a autorização do juiz para retirar o valor), e pede um pagamento antes;
- chama esse pagamento de taxa, custa, imposto, guia ou tarifa de transferência;
- indica Pix ou boleto em nome de uma pessoa ou de uma empresa que não é o escritório;
- traz "ofício", "alvará" ou "decisão" em PDF com logo e carimbo, sinais que não provam de onde o arquivo veio;
- tem pressa e diz que o valor se perde ou volta para o tribunal se você não pagar no mesmo dia.
Como conferir o e-mail
O e-mail do escritório termina em @advgg.com.br. Confira o fim do endereço letra por letra, porque um endereço parecido, com uma letra trocada ou sem o ".br", não é do escritório.
Recebi uma mensagem e fiquei na dúvida
- Não pague nada nem abra link que veio na mensagem.
- Pergunte ao escritório se a mensagem é dele, pelo WhatsApp oficial, (51) 98175-0879, ou pelo e-mail atendimento@advgg.com.br. Use o contato desta página, e não o que veio na mensagem.
- Guarde os prints da conversa, o número que escreveu e o PDF recebido.
Já paguei. O que fazer agora
- Avise o seu banco na hora, pelo número do verso do cartão ou pelo atendimento do aplicativo, qualquer que tenha sido a forma de pagamento; diga que foi golpe e anote o protocolo.
- Registre o boletim de ocorrência, pela delegacia online do seu estado ou em uma delegacia. Informe o número do golpista, a data, a hora e o comprovante do pagamento. No Rio Grande do Sul, a delegacia online da Polícia Civil fica em www.delegaciaonline.rs.gov.br.
- Avise o escritório pelo número oficial.
- Guarde tudo: prints, PDF, comprovante, protocolo do banco e número do boletim.
Se pagou por Pix, faça também isto no banco:
- Reclame no mesmo dia e peça a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). Depois da sua reclamação, é o seu banco que pede a devolução ao banco que recebeu o dinheiro.
- Não espere: a devolução depende de ainda haver saldo na conta que recebeu o dinheiro, e a reclamação tem de ser feita no banco em até 80 dias da data do Pix.
- Se o dinheiro já passou para outras contas, o seu banco também tem de iniciar a recuperação de valores, que rastreia o caminho do dinheiro para bloqueá-lo e devolvê-lo.
O MED vale só para o Pix e permite devolver o pagamento quando há fundada suspeita de fraude, isto é, algum indício concreto de golpe. As regras estão no Regulamento do Pix, anexo à Resolução BCB nº 1/2020: arts. 41-A, 41-B e 41-C, incluídos pela Resolução BCB nº 103/2021, e arts. 54, XII, e 78-N, incluídos pela Resolução BCB nº 493/2025. O prazo de 80 dias para a reclamação está no Manual Operacional do DICT, que integra o mesmo Regulamento.
O pedido ao banco por escrito, com modelo de carta, está na matéria sobre o golpe da falsa central do banco.
Perguntas frequentes
Como saber se a mensagem é mesmo do escritório Gabriel Garcia?
Veja de onde ela veio: o escritório fala pelo WhatsApp (51) 98175-0879 e por e-mail terminado em @advgg.com.br. Se veio de outro número ou de outro endereço, ligue ou escreva para o número oficial e pergunte antes de fazer qualquer coisa.
O escritório cobra taxa para liberar o dinheiro do processo?
Não. O escritório Gabriel Garcia Advogados nunca pede pagamento de taxa, custa ou imposto para liberar valor de processo, nem Pix para a conta de outra pessoa. Quem pede isso em nome do escritório é golpista.
O número +55 51 8047-3570 é do escritório?
Não. Esse número foi usado por um golpista em 21 de outubro de 2026, com o nome "Dr Gabriel Rodrigues Garcia" e a logo do escritório. O único WhatsApp do escritório é o (51) 98175-0879.
Como o golpista sabia do meu processo?
Os atos do processo são, em regra, públicos (Código de Processo Civil, art. 189), e o golpista pode consultar o número, as partes e o advogado. Acertar esses dados não prova que a mensagem venha do escritório.
Paguei o golpista por Pix. Consigo o dinheiro de volta?
Você pode pedir a devolução ao seu banco pelo MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, mas ela depende de ainda haver saldo na conta que recebeu o dinheiro, e a reclamação tem de ser feita no banco em até 80 dias da data do Pix. Reclame no banco no mesmo dia e faça o boletim de ocorrência.
Golpe do falso advogado é crime?
Enganar alguém para obter vantagem ilícita em prejuízo dele é estelionato (Código Penal, art. 171). Quando é fraude eletrônica, a pena é de reclusão de 4 a 8 anos e multa (art. 171, § 2º-A). Por isso cabe o boletim de ocorrência, com o número do golpista, os prints e o comprovante.
Conteúdo informativo, sem promessa de resultado (Provimento 205/2021 da OAB).
Sobre o autor
Gabriel Rodrigues Garcia é advogado (OAB/RS 51.016, OAB/SC 40.409) do Gabriel Garcia Advogados Associados, em Porto Alegre. Atua em direito bancário, revisão de contratos, dívidas rurais e superendividamento, e é autor do livro Estou Endividado! E Agora? (Besourobox).